FRANCESCO LUCIANI

Guitarrista Clássico | Compositor | Professor | Formador

PROGRAMA DE CONCERTO - MÚSICAS CRUZADAS: DO ATLÂNTICO AO PACÍFICO

Concertos Portugal - Agosto 2021

Cartaz Tour Músicas Cruzadas: do Atlântico ao Pacífico | Francesco Luciani - Portugal, Agosto 2021

Concerto de Guitarra Clássica

Apoios

Apoio Direção regional de Cultura do Norte
Apoio Antena 2
Cartaz Tour Músicas Cruzadas: do Atlântico ao Pacífico | Francesco Luciani - Portugal, Agosto 2021

Concerto de Guitarra Clássica

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PROGRAMA DE CONCERTO

Músicas Cruzadas: do Atlântico ao Pacífico

Emilio Pujol (1886-1980)

Tonadilla

 

Regino Sainz de la Maza (1896-1981)

Zapateado

 

Joaquin Malats (1872-1912)

Serenata Española

 

Isaac Albéniz (1860-1909)

Astúrias

 

Francisco Tarrega (1852-1909)

Lágrima

Adelita

Recuerdos de la Alhambra

Roland Dyens (1955-2016)

Tango en Skai

Paulo Bellinati (1950)

Alba

Heitor Villa-Lobos (1887-1959)

5 Prelúdios

Choro

Marzuca

Augustín Barrios (1885-1944)

El Ultimo Tremolo

NOTAS DE PROGRAMA

Músicas Cruzadas: do Atlântico ao Pacífico

O conceito de “Músicas Cruzadas”

Desde as primeiras naus deitadas ao mar rumo ao desconhecido até as grandes viagens, na época dos Descobrimentos Portugal construiu uma nova globalização de música e cultura, um intercâmbio cultural que favoreceu vários países do Atlântico ao Pacífico. Essa influência mútua perpetuou-se na música ao longo dos últimos séculos e continua até aos dias de hoje, com mais ou menos evidência.

As trocas culturais e musicais entre a Europa e a América do Sul foram diversificadas e constantes, indo desde ritmos, timbres, harmonias e construções musicais, passando pelas danças e tradições musicais, e pelo facto de se darem a conhecer instrumentos musicais até então desconhecidos nessas zonas geográficas.

É esta mágica viagem de Músicas Cruzadas: do Atlântico ao Pacífico que Francesco Luciani propõe ao público, com concertos em Ponte de Lima, Braga, Barcelos, Bragança e Penafiel, entre os dias 2 e 14 de Agosto de 2021.

O programa geral do Concerto

Ao longo do concerto apresentam-se peças de grandes compositores que hoje são também consideradas das mais belas músicas para guitarra clássica. Algumas foram transcritas para a guitarra, enquanto outras foram escritas diretamente para este instrumento, que na altura dos Descobrimentos não existia na forma com que a conhecemos hoje, mas antes era a famosa vihuela espanhola, derivada do alaúde e outros instrumentos de cordas dedilhadas tradicionais e comuns nos séculos XIV, XV e XVI.

A viagem de “Músicas Cruzadas: do Atlântico ao Pacífico” – A Europa

A viagem por estas Músicas Cruzadas começa com Emilio Pujol (1886-1980), célebre compositor e guitarrista espanhol que fixou morada em Lisboa em 1946, leccionando no Conservatório de Música de Lisboa até 1969. Foi um dos principais pedagogos da guitarra clássica e deixou uma extensa obra para este instrumento, incluindo 124 obras originais e mais de 275 transcrições e arranjos. É um compositor que trabalhou sempre entre a Europa, em especial na Península Ibérica (mas também em Itália e França), e a América do Sul. A Tonadilla, muito popular em guitarra, deriva de uma canção popular espanhola de origem teatral (era um género curto e satírico) constituindo um formato musical que circulou a partir de 1757 em Espanha e depois chegou às colónias espanholas na América do Sul, em especial Cuba.

Segue-se uma composição de Regino Sainz de la Maza (1896-1981), grande compositor e guitarrista espanhol, que dividiu também a sua arte entre a Europa e a América do Sul, sendo um dos maiores divulgadores da guitarra clássica tanto em Espanha, França, Alemanha e Reino Unido, como na Argentina, Uruguay e Brasil. Zapateado é uma das suas músicas mais famosas, e reflete uma dança que tem raízes andaluzas (embora haja historiadores que afirmam que a sua verdadeira origem está no Império Romano), mas que se tornou também muito popular na América do Sul.

Ainda do lado europeu do Atlântico, apresenta-se a Serenata Española de Joaquin Malats (1872-1912). Malats foi um excelente compositor e exímio pianista espanhol. Apresentou-se em concertos em Portugal, Espanha e França, sendo considerado um dos mais prestigiosos músicos europeus da sua época. A Serenata Española foi originalmente escrita para piano, violino e violoncelo, mas é hoje uma das mais populares e belas composições que se pode tocar na guitarra clássica.

Foi igualmente Malats quem estreou uma das obras mais famosas (Iberia) de Isaac Albéniz (1860-1909), o compositor, pianista e dramaturgo espanhol que se segue nesta viagem. Extremamente talentoso desde criança, Albéniz foi frequentemente comparado com Mozart, e teve uma carreira entre a Europa e a América, apresentando o seu trabalho e concertos em países como Espanha, França, Cuba, Porto Rico, Estados Unidos, Bélgica, Hungria, Alemanha, Áustria, Reino Unido, entre tantos outros locais. A sua obra, influenciada por alguns dos maiores pianistas e compositores do seu tempo, como Liszt, Dukas, d’Indy, Pedrell, Debussy e Ravel, capta também elementos da música de salão do século XVIII para piano, da harmonia impressionista e da música folclórica espanhola. Astúrias foi chamada pelo seu compositor Leyenda, foi escrita originalmente para piano e publicada em 1892, mas é inegável a sua beleza na voz da guitarra clássica.

Do lado da Europa a viagem musical passa também por Francisco Tárrega (1852-1909), o guitarrista espanhol que revolucionou a composição para guitarra clássica e a forma de tocar este instrumento, tanto que é considerado por muitos como o pai da guitarra clássica. Conhecido hoje pelo excerto da sua Gran Vals (Grande Valsa), que é o toque de telemóvel popularizado pela marca Nokia, este compositor foi professor de Emilio Pujol e colega de Joaquin Malats, tendo sido amigo de Isaac Albéniz, tendo feito muitas das primeiras transcrições para guitarra da obra deste último. Pouco saiu do seu país natal, embora a sua música hoje viaje pelo Mundo. Numa das suas breves saídas esteve em Londres, onde a saudade de casa o inspirou a escrever Lágrima, uma das suas peças apresentadas neste concerto. Já Adelita é uma mazurca, uma dança romântica tradicional da Polónia, mas que faz parte também das tradições de Cabo Verde (principalmente nas ilhas da Santo Antão, São Nicolau e Boavista) e de Nice (França), sendo que a lenda diz que o nome da música se deve a Adela Aymerich, a alegada filha ilegítima do rei Afonso XII de Espanha. Por fim, Recuerdos de la Alhambra é uma das músicas mais populares deste compositor e uma das mais famosas do repertório da guitarra clássica. Foi composta em 1899, tem influências das sonoridades árabes e foi escrita para retratar a cidade espanhola de Granada. A nível técnico, é uma das primeiras músicas em que se utiliza a técnica do tremolo na guitarra clássica.

Roland Dyens (1955-2016) é o compositor escolhido para fazer a ponte entre a Europa e a América do Sul, cruzando as músicas entre o Atlântico e o Pacifíco. Nascido na Tunísia, mas tendo vivido sempre em França, Dyens foi um dos maiores guitarristas e compositores francês dos nossos tempos. Ganhou vários prémios europeus e sul americanos e gravou vários discos ao longo da sua carreira, sendo conhecido como o “compositor improvisador”. Este Tango en Skai nasceu precisamente de uma improvisação durante um dos seus concertos, que saiu tão bem que lhe foi sugerido que fosse fixada, acabando por ser publicada a partitura em 1985. A música evoca os gaúchos argentinos, que vestem de cabedal (“en skai” significa em “cabedal leve”), o que explica o seu tom um tanto vulgar e rude. Por outro lado, evoca-se a popular música argentina do Tango, num desafio técnico particularmente exigente para os guitarristas que escolhem tocar esta peça.

A viagem de “Músicas Cruzadas: do Atlântico ao Pacífico” – A América Do Sul

No lado da América do Sul, a viagem continua pelo Brasil, de onde é originário o compositor Paulo Bellinati (1950). Este é um dos mais famosos guitarristas e compositores para guitarra clássica brasileiro da atualidade. A ilustrar a sua obra apresenta-se Alba, que faz parte da sua Suite Contatos, uma peça que serve de exemplo à produção musical para guitarra que se faz atualmente na América do Sul, misturando, ainda hoje, influências europeias com as sonoridades, tradições e ritmos locais.

Segue-se um dos mais famosos compositores de todos os tempos da América do Sul: o brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Influenciado tanto pela música folclórica brasileira quanto por elementos estilísticos da tradição clássica europeia, a que juntou elementos de canções populares e indígenas do Brasil, Villa-Lobos foi um dos compositores brasileiros mais criativos de sempre e escreveu muitas das suas obras para a guitarra clássica. A sua criatividade e inspiração são também um exemplo Moderno de como o intercâmbio musical se tem mantido ao longo dos séculos entre a Europa e as Américas. Neste concerto dá-se um exemplo de uma Mazurca ao estilo sul-americano e retrata-se um Choro, uma forma musical popularizada no Brasil, mas que tem origens tradicionais na música popular portuguesa e africana. Inclusivamente, os primeiros choros no Brasil foram tocados no século XIX usando-se a flauta, a guitarra clássica e o cavaquinho para compor e apresentar as músicas. Já os 5 Preludios são uma das composições para guitarra clássica mais famosas deste compositor e retratam o estilo de vida brasileiro da época, com a tradição portuguesa e brasileira retratadas numa simbiose musical perfeita.

O concerto termina com Augustín Barrios Mangoré (1885-1944) um compositor e guitarrista paraguaio. Barrios foi um dos primeiros músicos a fazer gravações ao vivo para gramofone, sendo sua a primeira música para guitarra clássica alguma vez gravada. Fortemente influenciado pela música europeia de compositores como, por exemplo, Bach, Barrios transpôs igualmente para a sua música as tradições da América do Sul e América Central. El Ultimo Tremolo, Também conhecido por “Una Limosna por el Amor de Diós” é a sua última composição e retrata um episódio em que durante uma das suas aulas, ao fim do dia, uma velhinha bateu à porta e chorava pedindo “uma esmola por amor de Deus.”

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